Ano 24 – Número 42 – 17 de outubro de 2022

Informe Econômico

Confiança da indústria gaúcha voltou a cair em outubro

O Índice de Confiança do Empresário Industrial gaúcho (ICEI/RS), divulgado pela FIERGS, caiu 3,7 pontos em outubro de 2022, para 59,2 pontos. Foi a queda mais intensa desde março de 2021 (-8,7), sendo que a confiança não caía desde março de 2022.

Todos os componentes da confiança recuaram e se mantiveram nas faixas positivas (acima dos 50 pontos) em outubro, mas a redução do ICEI/RS refletiu as expectativas dos empresários para os próximos meses, sobretudo, com relação à economia brasileira.

O Índice de Condições Atuais recuou 0,9 ponto na passagem de setembro para outubro, para 57,3 pontos, revelando que a indústria segue percebendo melhora nas condições dos negócios. Na avaliação dos empresários, as condições da economia continuam melhorando, com o índice passando de 59,0 para 58,7 pontos no período. Em setembro, a parcela de empresários que percebem melhora na economia brasileira (44,6%) supera em quatro vez à parcela que vê piora (11,4%). O Índice de Condições das Empresas caiu com mais força:  de 57,8 para 56,5 pontos.

O Índice de Expectativas para os próximos seis meses recuou de 65,3 pontos em setembro para 60,2 em outubro, na maior queda (-5,1 pontos) desde março de 2021 (-8,9). Acima de 50, o índice ainda mostra otimismo, mas é menor. O Índice de Expectativas com a Economia Brasileira foi o componente que mais caiu: -5,9 pontos, para 57,1. O percentual de empresários otimistas com o futuro da economia brasileira diminuiu de 56,7% para 42,6% e o de pessimistas mais que dobrou, de 6,2% para 13,9%. As expectativas com relação à própria empresa também diminuíram, com o índice passando de 66,5 para 61,7 pontos.

Apesar de menor, a confiança da indústria gaúcha permanece elevada, com avaliações positivas tanto para o presente quanto para o futuro, repercutindo, além da recuperação econômica, o alívio nos custos de produção, principalmente, dos combustíveis e da energia elétrica, e a normalização gradual das cadeias de suprimentos. Já as quedas dos componentes relacionados às expectativas, refletem, em grande medida, as incertezas decorrentes do cenário político.

Nesse sentido, o patamar da confiança industrial em outubro sinaliza crescimento da atividade do setor para os próximos meses.

Índice de Confiança do Empresário Industrial do RS
(Em pontos)

Fonte: UEE/FIERGS

Projeções do BC para o crédito em 2022 e 2023

Em um dos boxes do Relatório de Inflação de setembro, o Banco Central atualizou as projeções para o saldo das operações de crédito no Brasil para 2022 e fez a primeira projeção para 2023. Ao longo do ano corrente, o crescimento do crédito vem surpreendendo positivamente, em especial no segmento de pessoa física. Essa surpresa, combinada com o crescimento da atividade econômica esperado, fizeram a autoridade monetária revisar a projeção de alta nominal do crédito em 2022 para 14,2%, ante 11,9% em junho.

Em relação às pessoas físicas (PF), o aumento esperado para 2022 do estoque de crédito com recursos livres se deve à surpresa do resultado do segundo trimestre, impactado pelo crédito consignado para aposentados/pensionistas, bem como pelo aumento do crédito pessoal renegociado e rotativo. No crédito direcionado, a alta projetada foi influenciada pelo crescimento do crédito rural e imobiliário.

No segmento de pessoa jurídica (PJ), a projeção de crescimento do saldo com recursos livres para 2022 subiu por conta da evolução da economia, ao passo que no crédito direcionado houve crescimento nas operações de crédito rural e imobiliário, bem como a retomada com números robustos do Pronampe e do PEAC (Programa Emergencial de Acesso ao Crédito).

Para 2023, o crescimento do crédito deverá continuar em desaceleração, considerando as projeções de evolução da economia para o período, que indicam moderação da alta do PIB. Assim, o BC espera expansão nominal de 8,2%, com desaceleração no ritmo de crescimento para as pessoas físicas e jurídicas. Mesmo assim, uma boa notícia para o setor industrial é que o crédito direcionado para as empresas deve manter o ritmo de elevação desse ano, tendo em vista a manutenção das contratações do Pronampe e do PEAC, financiadas com recursos liberados paulatinamente pela amortização das operações em curso.

Saldo de crédito – Brasil
(Variação % anual)

20212022*2023*
AnteriorAtual
Total16,311,914,28,2
Livres20,415,217,29,6
PF23,017,019,010,0
PJ17,413,015,09,0
Direcionados10,97,09,76,0
PF18,511,013,07,0
PJ-0,30,04,04,0
Total PF21,014,416,48,7
Total PJ10,58,511,27,4
Fonte: BCB – Relatório de Inflação, Volume 24, nº 3. * Projeção BCB.

Perspectivas do FMI para a economia mundial

Na última semana de outubro, o FMI publicou seu relatório anual de perspectivas para a economia global. Adotando como tema principal o Combate à crise do custo de vida. O órgão discutiu a questão em três tópicos principais: i) Perspectivas e políticas mundiais, ii) Dinâmica dos salários no período pós-covid-19 e riscos de uma espiral de preços-salários e iii) Impacto macroeconômico a curto prazo de políticas de descarbonização.

Segundo o órgão, os três fatores chave  que balizam essas previsões são: a política monetária contracionista empreendida pelos países – cujo intuito principal é a contenção da inflação –, os impactos da guerra Russo-Ucraniana e os efeitos de quebra de cadeias/lockdowns, na China, devidos ao covid-19.

A alta generalizada dos preços nas principais economias do globo, a guerra no Leste Europeu e a política de Covid-zero tem freado a recuperação econômica. O combate à pandemia e o mercado de construção civil mostram-se como principais empecilhos para o reaquecimento da economia chinesa. Segundo as projeções do FMI  a China deve desacelerar seu crescimento para 3,2% em 2022.

No ocidente, a alta dos preços – devido ao conflito armado – tem se mostrado como o principal entrave ao crescimento econômico europeu. Com o intuito de controlar uma inflação persistente, os principais bancos centrais iniciaram um ciclo de aperto monetário. A mudança de postura dos BC’s, de um viés mais acomodativo para um mais agressivo, impactou diretamente o lado da demanda (via maiores custos de empréstimos). A construção civil, nos EUA por exemplo, já apresenta arrefecimento. A política monetária contracionista tem sido acompanhada por uma diminuição da política fiscal na maioria dos países.

Quanto à Zona do Euro, a contínua incerteza quanto à oferta de energia contribui diretamente para diminuir a atividade econômica, principalmente a manufatureira, diminuindo o consumo e, em certo grau, a confiança do consumidor. Com o arrefecimento da demanda, os preços dos produtos alimentícios também tendem a cair, impactados também pelo tratado do Mar Negro. Segundo o órgão, a Zona do Euro irá desacelerar para 3,1% em 2022.

Devido à inflação alta (na casa dos 10%, no acumulado dos últimos 12 meses) é pouco provável que as taxas de juros nominais voltem aos patamares pré-pandemia tão cedo. Vale destacar ainda que as reuniões recentes da Opep+ tem forçado o aumento dos preços do petróleo. O que, por sua vez, permitirá maior poder de barganha à Rússia e, consequentemente, um maior aumento de custos para a UE e os EUA. Os fatos relacionados aos aumentos dos custos estão em linha com as previsões do órgão de um arrefecimento do crescimento global para 3,2%.

O risco de uma desancoragem das expectativas de inflação

O FMI aponta que os salários tem crescido a baixo da inflação. Visto que o salário é um dos principais componentes dos custos de produção de mercadorias, a relativa estabilidade desse fator de produção tem ajudado a conter os aumentos de preços.

O órgão aponta que, embora os salários estejam relativamente rígidos, com relação aos aumentos da inflação, essa relação pode não continuar se mantendo no longo prazo.

O maior risco advindo de uma inflação alta por longos períodos de tempo está relacionada à desancoragem das expectativas de inflação. Essas expectativas estão relacionadas às percepções dos agentes de mercado quanto aos preços futuros do sistema. E se acessa o comportamento dos preços futuros por duas vias principais: o comportamento dos BC’s, percebido pelos agentes de mercado, e pelo comportamento passado da inflação.

Se os agentes de mercado tem expectativas de que a inflação continuará a aumentar, os trabalhadores se sentirão compelidos a exigir maiores salários. O que, por sua vez, irá aumentar os custos de produção e, consequentemente, aumentar os preços das mercadorias finais. Essa espiral preços-salários deve ser evitado ao máximo.

O FMI pontua essa relação de maneira acertada. Os BC’s devem combater a inflação tanto pelo aperto monetário quanto pela via das expectativas. Os BC’s precisam ser críveis.

O órgão ainda aponta que, quanto aos custos associados à descarbonização, não há consenso sobre os impactos macroeconômicos de curto prazo sobre essas políticas. Embora haja custos relacionados às mudanças necessárias para se cumprir os acordos de Paris, receituam-se mudanças de políticas que podem, segundo o FMI, permitir uma mudança mais suave de nossa configuração produtiva atual para uma menos poluente.

O FMI indica, entre outras coisas, o seguinte: i) cessar a utilização de combustíveis fósseis para a produção de energia elétrica, ii) subsídios à tecnologias de baixa emissão de carbono e iii) uma política monetária atenta.

É importante salientar que os países ao redor do globo deparam-se todos os dias com restrições orçamentarias e que, dependendo dos custos que nos são apresentados, tais mudanças podem se mostrar muito drásticas para serem implementadas de maneira imediata mesmo em um horizonte mais longo.

DADOS E PROJEÇÕES PARA A ECONOMIA BRASILEIRA

Produto Interno Bruto1

20182019202020212022*
Agropecuária1,30,43,8-0,21,3
Indústria0,7-0,7-3,44,51,0
Serviços2,11,5-4,34,73,6
TOTAL1,81,2-3,94,62,8
1O PIB Total é projetado a preços de mercado; os PIBs Setoriais são projetados a valor adicionado. *Projeção UEE/FIERGS

Produto Interno Bruto Real (Em trilhões correntes)

20182019202020212022*
Em R$7,0047,3897,4688,6799,536
Em US$21,9161,8731,4481,6091,847
2Taxa de câmbio média anual utilizada para o cálculo e IPCA utilizado como inflação. *Projeção UEE/FIERGS

Inflação (% a.a.)

20182019202020212022*
IGP-M 7,67,323,117,87,5
INPC3,44,55,410,25,7
IPCA3,74,34,510,15,5
*Projeção UEE/FIERGS

Produção Física Industrial (% a.a.)

20182019202020212022*
Extrativa Mineral0,0-9,7-3,41,11,2
Transformação1,10,2-4,64,31,9
Indústria Total31,0-1,1-4,53,91,5
3Não considera a Construção Civil e o SIUP. *Projeção UEE/FIERGS

Empregos Gerados – Mercado Formal (Mil vínculos)

20182019202020212022
Agropecuária2,213,036,5146,161,0
Indústria23,997,2148,7721,2478,9
Indústria de Transformação1,213,248,0439,7256,3
Construção11,470,797,3245,0194,6
Extrativa e SIUP411,213,33,536,528,0
Serviços520,2533,8-378,01.904,41.527,2
TOTAL546,4644,1-192,72.771,62.067,1
4SIUP = Serviços Industriais de Utilidade Pública. *Projeção UEE/FIERGS

Taxa de desemprego (%)

20182019202020212022*
Fim do ano11,711,114,211,18,0
Média do ano12,412,013,813,29,3
*Projeção UEE/FIERGS

Setor Externo (US$ bilhões)

20182019202020212022*
Exportações231,9221,1209,2280,4295,9
Importações185,3185,9158,8219,4226,4
Balança Comercial46,635,250,461,069,5
*Projeção UEE/FIERGS

Moeda e Juros

20182019202020212022*
Meta da taxa Selic – Fim do ano (% a.a.)6,504,502,009,2513,75
Taxa de Câmbio – Desvalorização (%)517,14,028,97,4-7,7
Taxa de Câmbio – Final do período (R$/US$)3,854,035,205,585,15
5Variação em relação ao final do período anterior. *Projeção UEE/FIERGS

Setor Público (% do PIB)

20182019202020212022*
Resultado Primário-1,6-0,8-9,40,81,0
Juros Nominais-5,4-5,0-4,2-5,2-7,0
Resultado Nominal-7,0-5,8-13,6-4,4-6,0
Dívida Líquida do Setor Público52,854,762,557,359,1
Dívida Bruta do Governo Geral75,374,488,680,378,2
*Projeção UEE/FIERGS

DADOS E PROJEÇÕES PARA A ECONOMIA GAÚCHA

Produto Interno Bruto Real (% a.a.)6

20182019202020212022*
Agropecuária-7,13,0-29,567,5-40,9
Indústria2,80,2-5,69,71,4
Serviços2,60,8-4,64,12,2
TOTAL2,01,1-6,810,4-2,2
6O PIB Total é projetado a preços de mercado; os PIBs Setoriais são projetados a valor adicionado. *Projeção UEE/FIERGS

Produto Interno Bruto Real (Em bilhões correntes)

20182019202020212022*
Em R$457,294482,464480,173582,968598,164
Em US$2125,108122,28293,107108,059116,147
*Projeção UEE/FIERGS

Empregos Gerados – Mercado Formal (Mil vínculos)

20182019202020212022*
Agropecuária-1,4-0,10,53,71,9
Indústria1,5-5,5-0,247,534,7
Indústria de Transformação0,9-1,50,142,927,7
Construção0,9-4,0-0,35,37,5
Extrativa e SIUP7-0,20,00,0-0,6-0,5
Serviços20,426,0-42,989,767,2
TOTAL20,520,4-42,6141,0103,8
7SIUP = Serviços Industriais de Utilidade Pública. *Projeção UEE/FIERGS

Taxa de desemprego (%)

20182019202020212022*
Fim do ano7,57,38,68,15,7
Média do ano8,28,19,38,76,3
*Projeção UEE/FIERGS

Setor Externo (US$ bilhões)

20182019202020212022*
Exportações21,017,314,121,122,4
Industriais15,112,510,514,115,1
Importações11,310,37,611,712,8
Balança Comercial9,86,96,59,49,6
*Projeção UEE/FIERGS

Arrecadação de ICMS (R$ bilhões)

20182019202020212022*
Arrecadação de ICMS (R$ bilhões)34,835,736,245,749,5
*Projeção UEE/FIERGS

Indicadores Industriais (% a.a.)

20182019202020212022*
Faturamento real2,73,0-3,18,71,6
Compras industriais10,0-2,7-5,531,04,2
Utilização da capacidade instalada (em p.p.)1,60,7-4,65,70,3
Massa salarial real-1,3-0,8-9,34,60,4
Emprego0,90,0-1,96,71,4
Horas trabalhadas na produção0,0-1,0-5,715,13,3
Índice de Desempenho Industrial – IDI/RS2,60,1-4,812,81,7
*Projeção UEE/FIERGS

Produção Física Industrial (% a.a.)

20182019202020212022*
Produção Física Industrial8 (% a.a.)5,92,5-5,58,81,0
8Não considera a Construção Civil e o SIUP. *Projeção UEE/FIERGS

Informações sobre as atualizações das projeções:

No cenário nacional foram atualizados as projeções de Inflação.

Observatório da Indústria do Rio Grande do Sul

Unidade de Estudos Econômicos

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