Ano 24 – Número 36 – 5 de setembro de 2022

Informe Econômico

Brasil está próximo de voltar ao topo de atividade

O PIB do Brasil cresceu 1,2% no segundo trimestre de 2022 em relação ao trimestre imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal, o quarto trimestre consecutivo de alta. Cabe mencionar que as altas dos dois trimestres anteriores foram revisadas para cima (4ºT/21: de +0,7% para +0,8%; 1ºT/22: de +1,0% para +1,1%). Com isso, a atividade econômica do País está 3,0% acima do patamar pré-pandemia (4ºT/19). Além disso, a economia brasileira voltou ano nível de final de 2014 e está apenas 0,8% abaixo do pico da série histórica (4ºT/14).

Os Serviços puxaram o crescimento com avanço de 4,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, com os melhores resultados vindos de Outras atividades de serviços (+13,6%), onde estão computados os serviços presenciais, que estavam represados durante a pandemia, como os restaurantes e hotéis, por exemplo. Em sentido contrário, houve retração na Agropecuária (-2,5%) que foi afetada pelas quedas nas safras de soja (-12,0%) e arroz (-8,5%). Por outro lado, houve aumento no milho (+27,0%) e café (+8,6%), bem como uma contribuição positiva da pecuária, com destaque para os bovinos.

De maneira geral, os resultados do PIB do segundo trimestre vieram em linha com a expectativas positivas que construímos após a divulgação dos dados do primeiro trimestre. O bom desempenho da economia decorreu principalmente da melhora nas condições de renda da população, seja pela continuidade na geração de postos de trabalho – com maior participação de empregos formais – e pelo aumento da renda disponível via redução de impostos federais de alguns produtos (IPI, PIS/PASEP e Cofins), bem como pelas medidas extraordinárias do Governo Federal (Saque Extraordinário do FGTS e adiantamento do 13° salário para aposentados e pensionistas do INSS).

Para o próximo trimestre ainda esperamos um resultado positivo, pela continuidade da melhora do mercado de trabalho, redução de impostos sobre combustíveis, energia elétrica e telecomunicações, bem como pelos auxílios aprovados recentemente (aumento temporário do Auxílio Brasil para R$ 600, aumento do vale-gás, auxílio para caminhoneiros e taxistas). Entre os fatores que podem pesar negativamente, podemos citar: 1) a incerteza trazida pelas eleições pode adiar investimentos; 2) a taxa de juros em patamar elevado e seus efeitos defasados sobre a economia; e 3) o cenário internacional mais adverso, com economias em desaceleração e juros em alta. Contudo, esses fatores devem impactar mais significativamente o crescimento do quarto trimestre.

Levando tudo isso em conta, atualizamos nossa projeção de PIB para o final de 2022 de 2,0% para 2,8%, o que é compatível com uma alta na margem de 0,5% no terceiro trimestre e queda de 0,3% no quarto trimestre.

PIB da Indústria ainda com dificuldades de superar a década perdida

O PIB da Indústria no segundo trimestre de 2022 avançou 1,9% na comparação com o mesmo período de 2021. O maior crescimento foi em Energia e saneamento (+10,8%), influenciado pelo desligamento das usinas térmicas e maior utilização de energias renováveis, que são mais baratas. A Construção (+9,9%) também teve forte alta, corroborada pelo aumento do número de pessoas ocupadas no setor, e a Indústria de transformação (+0,5%) cresceu após três trimestres de queda, em especial pelo avanço na produção de Derivados do petróleo, Couros e calçados e Químicos. Por fim, a Indústria extrativa recuou 4,0%, com as reduções na extração de minérios ferrosos, petróleo e gás.

Se podemos comemorar que o PIB brasileiro se aproxima do seu pico histórico, esse não é o caso da indústria, que está 10,5% abaixo do pico alcançado em 2013. Sendo que a Transformação e a Construção permanecem abaixo do nível registrado em 2010.

Ambos segmentos já retomaram o nível pré-pandemia, mas ainda não recuperaram as perdas provocadas pela crise de 2015 e 2016. A má gestão das finanças públicas e a tentativa de realizar um experimento heterodoxo com a economia brasileira foi muito pior do que uma pandemia em termos de custos econômicos.

Depois de crescer 4,5% em 2021, esperamos que a indústria avance 1,0% em 2022, tendo como principais destaques as Indústrias Extrativa e da Construção.

PIB Brasil: Total, Indústria de Transformação e Construção
(2014/IV = 100 | Dessazonalizado)

Fonte: IBGE

Atividade industrial gaúcha iniciou o segundo semestre em expansão

O emprego industrial cresceu pelo 26º mês seguido em julho.

O Índice de Desempenho Industrial (IDI/RS) cresceu 2,5% em julho comparativamente a junho, feito o ajuste sazonal, de acordo com a pesquisa Indicadores Industriais do RS da FIERGS. Foi a segunda alta seguida e a maior taxa desde dezembro de 2020, o que levou o índice de atividade do setor ao nível mais elevado desde outubro de 2014, 12,1% acima de fevereiro de 2020 (pré-pandemia).

Com comportamentos distintos das seis variáveis que o integram, o desempenho bastante positivo do índice no mês foi creditado às compras industriais (+9,3%), que têm mostrado – e levado ao IDI/RS – muita volatilidade em função das dificuldades que o setor tem enfrentado na cadeia de suprimentos. A massa salarial real (+2,2%) e o emprego (+0,6%), que registrou o 26º avanço seguido, também cresceram, enquanto o faturamento real (-0,9%), as horas trabalhadas na produção (-0,4%) e a utilização da capacidade instalada-UCI (-0,5 p.p.), com grau médio de 80,4%, caíram.

Em bases anuais, o IDI/RS registrou, em julho de 2022, o 23º crescimento seguido na comparação com o mesmo mês do ano anterior: 5,3%. No acumulado de janeiro a julho, o nível de atividade foi 4,5% maior que no mesmo período de 2021, com cinco dos seis componentes mostrando crescimento: horas trabalhadas na produção (+8,6%), massa salarial real (+7,8%), emprego (+6,5%), compras industriais (+4,6%) e faturamento real (+4,0%). Apenas a UCI registrou queda (-1,1 p.p.).

Setorialmente, o quadro é heterogêneo no acumulado do ano até julho. Entre os dezesseis setores da indústria gaúcha analisados, nove mostraram resultados positivos. Os crescimentos do nível de atividade de Couros e calçados (+13,2%), Veículos automotores (+14,8%), Máquinas e equipamentos (+10,0%) e Tabaco (+19,5%) são os destaques pelas contribuições dadas à indústria como um todo. O lado negativo mostrou as quedas de Produtos de metal (-3,3%), Móveis (-6,3%) e Metalurgia (-11,0%) como as mais importantes.

Os resultados dos Indicadores Industriais do RS de julho mostraram o desempenho negativo das variáveis mais diretamente relacionadas à produção, sugerindo, a despeito da segunda alta seguida do IDI/RS na margem, a continuidade do movimento oscilatório que vem marcando o comportamento do setor ao longo do ano. De fato, os entraves nas cadeias de suprimentos, em grande medida, tornaram mais volátil a série de dados da atividade industrial no estado, num cenário que combina inflação e juros elevados com medidas de estímulos à demanda, aumento das exportações de manufaturados e bom desempenho do agronegócio brasileiro.  

A perspectiva para os próximos meses é de manutenção desse quadro, mas com maiores restrições em função dos efeitos defasados da política monetária e o aumento da incerteza com as eleições.

Indicadores Industriais do Rio Grande do Sul
(Julho de 2022)

Variação %
Mês anterior*Mês ano anteriorAc. ano
Índice de desempenho industrial2,55,34,5
Faturamento real-0,95,34,0
Horas trabalhadas na produção-0,47,98,6
Emprego0,67,36,5
Massa salarial real2,213,87,8
UCI (em p.p)-0,5-3,7-1,1
Compras Industriais9,38,84,6
*Série dessazonalizada

Índices de Desempenho Industrial – RS
(Índice base fixa mensal: 2006=100*)

Fonte: UEE/FIERGS. * Série dessazonalizada.

Índice de Desempenho Industrial – IDI/RS – Setorial
(Variação jan-jul 2022/21 – %)

Fonte: UEE/FIERGS.

DADOS E PROJEÇÕES PARA A ECONOMIA BRASILEIRA

Produto Interno Bruto1

20182019202020212022*
Agropecuária1,30,43,8-0,21,3
Indústria0,7-0,7-3,44,51,0
Serviços2,11,5-4,34,73,6
TOTAL1,81,2-3,94,62,8
1O PIB Total é projetado a preços de mercado; os PIBs Setoriais são projetados a valor adicionado. *Projeção UEE/FIERGS

Produto Interno Bruto Real (Em trilhões correntes)

20182019202020212022*
Em R$7,0047,3897,4688,6799,536
Em US$21,9161,8731,4481,6091,847
2Taxa de câmbio média anual utilizada para o cálculo e IPCA utilizado como inflação. *Projeção UEE/FIERGS

Inflação (% a.a.)

20182019202020212022*
IGP-M 7,67,323,117,813,0
INPC3,44,55,410,27,0
IPCA3,74,34,510,16,9
*Projeção UEE/FIERGS

Produção Física Industrial (% a.a.)

20182019202020212022*
Extrativa Mineral0,0-9,7-3,41,11,2
Transformação1,10,2-4,64,31,9
Indústria Total31,0-1,1-4,53,91,5
3Não considera a Construção Civil e o SIUP. *Projeção UEE/FIERGS

Empregos Gerados – Mercado Formal (Mil vínculos)

20182019202020212022
Agropecuária2,213,036,5146,161,0
Indústria23,997,2148,7721,2478,9
Indústria de Transformação1,213,248,0439,7256,3
Construção11,470,797,3245,0194,6
Extrativa e SIUP411,213,33,536,528,0
Serviços520,2533,8-378,01.904,41.527,2
TOTAL546,4644,1-192,72.771,62.067,1
4SIUP = Serviços Industriais de Utilidade Pública. *Projeção UEE/FIERGS

Taxa de desemprego (%)

20182019202020212022*
Fim do ano11,711,114,211,18,0
Média do ano12,412,013,813,29,3
*Projeção UEE/FIERGS

Setor Externo (US$ bilhões)

20182019202020212022*
Exportações231,9221,1209,2280,4295,9
Importações185,3185,9158,8219,4226,4
Balança Comercial46,635,250,461,069,5
*Projeção UEE/FIERGS

Moeda e Juros

20182019202020212022*
Meta da taxa Selic – Fim do ano (% a.a.)6,504,502,009,2513,75
Taxa de Câmbio – Desvalorização (%)517,14,028,97,4-7,7
Taxa de Câmbio – Final do período (R$/US$)3,854,035,205,585,15
5Variação em relação ao final do período anterior. *Projeção UEE/FIERGS

Setor Público (% do PIB)

20182019202020212022*
Resultado Primário-1,6-0,8-9,40,8-1,0
Juros Nominais-5,4-5,0-4,2-5,2-6,5
Resultado Nominal-7,0-5,8-13,6-4,4-7,5
Dívida Líquida do Setor Público52,854,762,557,362,3
Dívida Bruta do Governo Geral75,374,488,680,383,1
*Projeção UEE/FIERGS

DADOS E PROJEÇÕES PARA A ECONOMIA GAÚCHA

Produto Interno Bruto Real (% a.a.)6

20182019202020212022*
Agropecuária-7,13,0-29,567,5-40,0
Indústria2,80,2-5,69,7-1,4
Serviços2,60,8-4,64,10,5
TOTAL2,01,1-6,810,4-4,0
6O PIB Total é projetado a preços de mercado; os PIBs Setoriais são projetados a valor adicionado. *Projeção UEE/FIERGS

Produto Interno Bruto Real (Em bilhões correntes)

20182019202020212022*
Em R$457,294482,464480,173582,968599,384
Em US$2125,108122,28293,107108,059114,249
*Projeção UEE/FIERGS

Empregos Gerados – Mercado Formal (Mil vínculos)

20182019202020212022*
Agropecuária-1,4-0,10,53,71,9
Indústria1,5-5,5-0,247,534,7
Indústria de Transformação0,9-1,50,142,927,7
Construção0,9-4,0-0,35,37,5
Extrativa e SIUP7-0,20,00,0-0,6-0,5
Serviços20,426,0-42,989,767,2
TOTAL20,520,4-42,6141,0103,8
7SIUP = Serviços Industriais de Utilidade Pública. *Projeção UEE/FIERGS

Taxa de desemprego (%)

20182019202020212022*
Fim do ano7,57,38,68,15,7
Média do ano8,28,19,38,76,3
*Projeção UEE/FIERGS

Setor Externo (US$ bilhões)

20182019202020212022*
Exportações21,017,314,121,122,4
Industriais15,112,510,514,115,1
Importações11,310,37,611,712,8
Balança Comercial9,86,96,59,49,6
*Projeção UEE/FIERGS

Arrecadação de ICMS (R$ bilhões)

20182019202020212022*
Arrecadação de ICMS (R$ bilhões)34,835,736,245,749,5
*Projeção UEE/FIERGS

Indicadores Industriais (% a.a.)

20182019202020212022*
Faturamento real2,73,0-3,18,71,6
Compras industriais10,0-2,7-5,531,04,2
Utilização da capacidade instalada (em p.p.)1,60,7-4,65,70,3
Massa salarial real-1,3-0,8-9,34,60,4
Emprego0,90,0-1,96,71,4
Horas trabalhadas na produção0,0-1,0-5,715,13,3
Índice de Desempenho Industrial – IDI/RS2,60,1-4,812,81,7
*Projeção UEE/FIERGS

Produção Física Industrial (% a.a.)

20182019202020212022*
Produção Física Industrial8 (% a.a.)5,92,5-5,58,81,0
8Não considera a Construção Civil e o SIUP. *Projeção UEE/FIERGS

Informações sobre as atualizações das projeções:

No cenário nacional foram atualizadas as projeções para o PIB.

Observatório da Indústria do Rio Grande do Sul

Unidade de Estudos Econômicos

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