Ano 26 – Número 23 – 17 de junho de 2024

Informe Econômico

Principais resultados da consulta da FIERGS às Indústrias Gaúchas acerca das enchentes

Nos meses de abril e maio de 2024, o estado do Rio Grande do Sul foi severamente afetado por intensas chuvas, resultando em inundações súbitas de grande magnitude. Essas enchentes causaram destruição significativa na infraestrutura física e social, comprometendo redes de transporte, ativos e outros elementos essenciais para o bem-estar da sociedade. A FIERGS, em trabalho coordenado pela Unidade de Estudos Econômicos (UEE), elaborou uma Consulta às Indústrias Gaúchas para melhor compreender os impactos das enchentes ocorridas em abril e maio de 2024. O trabalho contou com o apoio na divulgação por parte da Unidade de Desenvolvimento Sindical (Unisind), dos sindicatos filiados à instituição, do Conselho de Articulação Sindical e Empresarial (Conase), da Gerência Técnica e de Suporte aos Conselhos Temáticos (Getec) e do SESI-RS. Essa consulta teve como objetivo entender o perfil das empresas mais afetadas, avaliar a extensão e os tipos de prejuízos sofridos por essas indústrias, e captar as perspectivas das empresas para o futuro.

Entre os dias 23 de maio e 10 de junho, 220 indústrias gaúchas responderam ao questionário elaborado pela FIERGS. A pesquisa não seguiu uma amostragem aleatória, uma vez que o questionário online esteve disponível para todas as empresas interessadas em participar. Entre os 220 respondentes da pesquisa, 65,5% estavam localizadas no Vale dos Sinos, na região Metropolitana e na Serra. Sendo que, 55,0% atuavam nos setores de Borracha e Plástico, Máquinas e Equipamentos, Alimentos, Couro e Calçados, e Metalurgia. Quanto ao porte, 64,1% das empresas eram classificadas como de médio ou grande porte, baseado em seu faturamento. Além disso, 48,6% dos estabelecimentos empregam 100 ou mais funcionários.

Quanto ao impacto das enchentes, a pesquisa revelou que 81% das indústrias respondentes foram afetadas em alguma medida pela catástrofe de maio de 2024. Destas, 63% sofreram paralisação total ou parcial de suas atividades, com 95% das paralisações durando até 30 dias. A média de suspensão das atividades foi de 14 dias. Mais da metade das empresas com atividades paralisadas (60%) conseguiram retomar as operações dentro de um mês. Dentre as empresas que ficaram fechadas por mais de 15 dias, a maioria tinha um faturamento anual superior a R$ 30 milhões. Além disso, 50% das empresas que reportaram a retomada das atividades em um mês ou mais possuem 100 ou mais funcionários.


Principais prejuízos decorrentes das enchentes sofridos pelas respondentes

(em %)

Fonte: Consulta empresarial FIERGS.

Dos 220 respondentes, 174 informaram algum valor de prejuízo. O valor máximo registrado foi de R$ 100 milhões, com uma média geral de R$ 3,1 milhões. Metade das empresas relataram perdas de até R$ 50 mil, e dois terços das respondentes tiveram prejuízos de até R$ 216 mil. As micro e pequenas empresas tiveram um prejuízo médio de R$ 117 mil, enquanto as médias e grandes empresas relataram um prejuízo médio significativamente maior, de R$ 4,5 milhões. Os principais prejuízos relatados pelas empresas incluem problemas logísticos para escoamento da produção ou recebimento de insumos, questões com pessoal/colaboradores e dificuldades com fornecedores também afetados pelas enchentes. Dentre as respondentes muito afetadas, os danos físicos como as perdas de estoques, máquinas e equipamentos e estabelecimentos foram mais representativos para essa subamostra. Um dado preocupante é que 52% das empresas não possuíam cobertura de seguro contra perdas e danos decorrentes das enchentes. Entre as micro, pequenas e médias empresas, 63,4% estavam sem seguro, enquanto cerca de 70% das grandes empresas estavam seguradas.

Quanto às perspectivas para o futuro, 64,2% das empresas pretendem permanecer no mesmo local onde estão instaladas, enquanto 20,1% ainda não decidiram o que farão com o negócio. Entre as empresas sem seguro, 16,0% optaram por fechar seus negócios ou mudar de localização, em comparação com 13,0% das empresas seguradas que tomaram decisões semelhantes.

Pretensão das respondentes em retornar os investimentos na atual localização da empresa

(em %)

Fonte: Consulta empresarial FIERGS.

Além disso, 60,0% das empresas planejam alocar recursos para a recuperação dos negócios dentro de um mês. As principais medidas que incentivariam as empresas a retomar suas atividades incluem a melhoria da infraestrutura local, postergação ou anistia de pagamento de tributos, e concessão de crédito subsidiado. As grandes empresas destacaram a necessidade de melhorias na infraestrutura e medidas específicas para prevenir novos alagamentos como ações governamentais prioritárias para retomada das atividades. Por outro lado, as pequenas e médias empresas e as industriais mais afetadas apontaram a necessidade de subsídios financeiros e postergação ou anistia de tributos.

A consulta realizada pela FIERGS destaca a severidade dos impactos causados pelas enchentes de abril e maio de 2024 nas indústrias gaúchas, com uma significativa parcela das empresas enfrentando paralisações e prejuízos substanciais. Para a recuperação das regiões afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul, é essencial atuar em duas frentes emergenciais: reconstrução da infraestrutura física danificada e implementação de obras que aumentem a segurança contra futuras enchentes. A reconstrução é crucial para restaurar a normalidade, reparando rodovias, estradas e pontes, permitindo a retomada das atividades econômicas e a mobilidade da população. Além disso, é vital realizar obras que sinalizem a mitigação do risco de novas enchentes, como construção de barragens, diques, melhoria dos sistemas de drenagem urbana e criação de áreas de retenção de águas pluviais. Essas medidas protegem fisicamente as áreas vulneráveis e aumentam a confiança de empresários e trabalhadores, incentivando investimentos e impulsionando a recuperação econômica, geração de empregos e aumento da atividade nas localidades.

Atividade industrial gaúcha cresceu em abril

O Índice de Desempenho Industrial gaúcho (IDI/RS), indicador de nível de atividade divulgado mensalmente pela FIERGS, voltou a crescer em abril, 3,5% ante março com ajuste sazonal. Apesar de intensa, a alta somente repôs parte da queda também expressiva do mês anterior (-4,0%). A quantidade atípica de dias úteis em abril de 2024 (22), o que não ocorria desde 2013, dois acima de março, aumentou a volatilidade que já vinha caracterizando o comportamento do índice.

Com exceção do emprego, que ficou estável (+0,1%), todos os componentes do IDI/RS cresceram na passagem de março para abril. O faturamento real foi o componente mais impactado pelo calendário, avançando 12,5% na comparação com o mês de março. Além dos dias úteis, minimizado pelo método de ajuste sazonal, a base de comparação baixa de março (-6,6% ante fevereiro), quando atingiu o menor patamar desde agosto de 2020, ajudou a impulsionar o resultado. Também cresceram em relação a março, as compras industriais (+1,5%), a utilização da capacidade instalada (+1,5 p.p.), que atingiu 80,9%, a massa salarial real (+0,8%) e as horas trabalhadas na produção (+0,6%).

Índice de desempenho industrial (IDI-RS)

(Índice de base fixa mensal – 2006=100)

Fonte: UEE/FIERGS.

A base anual também foi afetada pelo calendário em abril de 2024. Com quatro dias úteis a mais (22) do que abril de 2023 (18), o IDI/RS registrou a maior alta desde setembro de 2022 e voltou ao terreno positivo após quinze meses consecutivos de queda na métrica que compara o mês com o seu equivalente do ano anterior: +4,5%. Com exceção do emprego (-1,9%), que é pouco afetado por esse fator, todos os componentes do IDI/RS cresceram nessa base, com destaque, mais uma vez, para o faturamento real (+12,5%).

Com o resultado de abril, houve uma desaceleração do saldo negativo do IDI/RS no ano de -3,5% no primeiro trimestre para -1,5% no primeiro quadrimestre comparativamente a iguais períodos de 2023. Dos seis componentes do índice, quatro recuaram: faturamento real (-2,9%), horas trabalhadas na produção (-2,3%), emprego (-1,6%) e compras Industriais (-4,1%). Já a UCI (+1,0 p.p.) e a massa salarial real cresceram (+3,4%).

Indicadores Industriais do Rio Grande do Sul – Abril de 2024

Variação %
Mês anterior*Mês ano anteriorAc. ano
Índice de desempenho industrial3,54,5-1,5
Faturamento real12,512,5-2,9
Horas Trabalhadas na produção0,64,0-2,3
Emprego0,1-1,9-1,6
Massa salarial real0,84,93,4
UCI (em p.p.)1,53,71,0
Compras Industriais1,52,9-4,1
* Série dessazonalizada. Fonte: UEE/FIERGS.

Do ponto de vista setorial, no acumulado do ano até abril, a maioria (9) dos setores pesquisados (16) registraram redução no nível de atividade na comparação com os primeiros quatro meses de 2023. Os destaques pela influência negativa no resultado agregado foram Máquinas e equipamentos (-10,6%), Alimentos (-2,4%) e Couros e calçados (-2,5%). No lado positivo, Veículos automotores (+7,0%), Químicos, derivados de petróleo e biocombustíveis (+6,0%) e Tabaco (+15,5%) forneceram as maiores contribuições.

Índice de desempenho industrial do RS – Setorial

(Variação jan-abr 2024/23 – %)

Fonte: UEE/FIERGS.

A intensidade e a disseminação dos resultados positivos nos Indicadores Industriais do RS de abril, como referido, foi causado pelo calendário atípico. De fato, nada do que vinha provocando a volatilidade e o baixo dinamismo da atividade industrial gaúcha até então saiu do cenário: elevados níveis de incerteza, em especial a questão fiscal, as indefinições acerca da Reforma Tributária e a demanda fraca. Além disso, regionalmente, o setor enfrentava a perspectiva de cortes de incentivos fiscais ou de elevação das alíquotas de ICMS.

No entanto, este panorama foi drasticamente alterado pela calamidade climática que assolou o estado no mês de maio. Os impactos dessa catástrofe no setor industrial, certamente de grandes proporções, ainda serão completamente dimensionados nos próximos meses. Os primeiros sinais são preocupantes: de acordo com dados publicados pela FIERGS, os índices de confiança e de expectativas dos industriais gaúchos despencaram em maio, retornando aos níveis vistos em junho de 2020, durante o ápice da pandemia de Covid-19.

DADOS E PROJEÇÕES PARA A ECONOMIA BRASILEIRA

Produto Interno Bruto1

20202021202220232024*
Agropecuária4,20,0-1,115,10,5
Indústria-3,05,01,51,61,3
Serviços-3,74,84,32,41,7
Total-3,34,83,02,91,5
1O PIB Total é projetado a preços de mercado; os PIBs Setoriais são projetados a valor adicionado. *Projeção UEE/FIERGS.

Produto Interno Bruto Real (Em trilhões correntes)

20202021202220232024*
Em R$7,6109,0129,91510,85611,482
Em US$21,4761,6701,9202,1702,295
2Taxa de câmbio média anual utilizada para o cálculo e IPCA utilizado como inflação. *Projeção UEE/FIERGS.

Inflação (% a.a.)

20202021202220232024*
IGP-M 23,117,85,5-3,24,0
INPC5,410,25,93,74,1
IPCA4,510,15,84,64,1
*Projeção UEE/FIERGS.

Produção Física Industrial (% a.a.)

20202021202220232024*
Extrativa Mineral-3,41,0-3,27,01,7
Transformação-4,64,3-0,4-1,01,1
Indústria Total3-4,53,9-0,70,21,4
3Não considera a Construção Civil e o SIUP. *Projeção UEE/FIERGS.

Empregos Gerados – Mercado Formal (Mil vínculos)

20202021202220232024*
Agropecuária37146643530
Indústria143720441286221
Indústria de Transformação45439214103109
Construção9524519315999
Extrativa e SIUP4436352413
Serviços-3721.9141.5081.163706
Total-1922.7802.0131.484956
4SIUP = Serviços Industriais de Utilidade Pública. *Projeção UEE/FIERGS.

Taxa de desemprego (%)

20202021202220232024*
Fim do ano14,211,17,97,47,6
Média do ano13,813,29,38,07,9
*Projeção UEE/FIERGS.

Setor Externo (US$ bilhões)

20202021202220232024*
Exportações209,2280,8334,1339,7336,8
Importações158,8219,4272,6240,8241,6
Balança Comercial50,461,461,598,895,2
*Projeção UEE/FIERGS.

Moeda e Juros

20202021202220232024*
Meta da taxa Selic – Fim do ano (% a.a.)2,009,2513,7511,759,50
Taxa de Câmbio – Final do período (R$/US$)5,205,585,224,845,08
5Variação em relação ao final do período anterior. *Projeção UEE/FIERGS.

Setor Público (% do PIB)

20202021202220232024*
Resultado Primário-9,20,71,3-2,3-1,2
Juros Nominais-4,1-5,0-5,9-6,6-6,3
Resultado Nominal-13,3-4,3-4,6-8,9-7,5
Dívida Líquida do Setor Público61,455,857,160,564,5
Dívida Bruta do Governo Geral86,978,372,974,979,2
*Projeção UEE/FIERGS.

DADOS E PROJEÇÕES PARA A ECONOMIA GAÚCHA

Produto Interno Bruto Real (% a.a.)6

20202021202220232024*
Agropecuária-29,653,0-41,716,337,1
Indústria-6,18,11,6-4,01,8
Serviços-5,04,43,82,71,5
Total-7,29,32,81,74,7
6O PIB Total é projetado a preços de mercado; os PIBs Setoriais são projetados a valor adicionado. *Projeção UEE/FIERGS.

Produto Interno Bruto Real (Em bilhões correntes)

20202021202220232024*
Em R$470,942581,284592,683640,299697,880
Em US$291,317107,747114,752128,189140,983
*Projeção UEE/FIERGS.

Empregos Gerados – Mercado Formal (Mil vínculos)

20202021202220232024*
Agropecuária27311
Indústria-14729-96
Indústria de Transformação04322-65
Construção-157-21
Extrativa e SIUP30-11-10
Serviços-4290685514
Total-411441004721
7SIUP = Serviços Industriais de Utilidade Pública. *Projeção UEE/FIERGS.

Taxa de desemprego (%)

20202021202220232024*
Fim do ano8,68,14,65,25,0
Média do ano9,38,76,15,35,2
*Projeção UEE/FIERGS.

Setor Externo (US$ bilhões)

20202021202220232024*
Exportações14,121,122,622,323,0
Indústria de Transformação10,414,417,716,817,1
Importações7,611,716,013,815,4
Balança Comercial6,59,46,68,57,6
*Projeção UEE/FIERGS.

Arrecadação de ICMS (R$ bilhões)

20202021202220232024*
Arrecadação de ICMS (R$ bilhões)36,245,743,344,746,8
*Projeção UEE/FIERGS.

Indicadores Industriais (% a.a.)

20202021202220232024*
Faturamento real-3,18,95,9-7,22,1
Compras industriais-5,531,2-0,5-14,87,5
Utilização da capacidade instalada (em p.p.)-4,55,7-0,7-3,31,0
Massa salarial real-9,05,310,92,80,6
Emprego-1,96,75,9-0,80,2
Horas trabalhadas na produção-5,515,28,4-3,51,5
Índice de Desempenho Industrial – IDI/RS-4,712,94,1-5,62,8
*Projeção UEE/FIERGS.

Produção Física Industrial (% a.a.)

20202021202220232024*
Produção Física Industrial4 (% a.a.)-5,59,01,1-4,72,3
8Não considera a Construção Civil e o SIUP. *Projeção UEE/FIERGS.
Informações sobre as atualizações das projeções:
Economia Brasileira: Não houve alterações nas projeções de 2024.
Economia Gaúcha: Não houve alterações nas projeções de 2024.

As opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva e inteira responsabilidade dos autores, não exprimindo, necessariamente, o ponto de vista desta Federação. É permitida a reprodução deste texto e dos dados contidos, desde que citada a fonte. Reproduções para fins comerciais são proibidas.

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